quinta-feira, 22 de outubro de 2009














Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens
e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta -
Seria, com certeza, um mundo livre aos poemas.

(Manoel de Barros)

O caçador de borboletas

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Vladimir recebeu muitas prendas no Natal, entre livros, discos, legos, jogos de computador, mas gostou sobretudo do equipamento para caçar borboletas. O equipamento incluía uma rede, um frasco de vidro, algodão, éter, uma caixa de madeira com o fundo de cortiça, e alfinetes coloridos. O pai explicou-lhe que a caixa servia para guardar as borboletas. Matam-se as borboletas com o éter, espetam-se na cortiça, de asas estacadas, e dessa forma, mesmo mortas, elas duram muito tempo. É assim que fazem os coleccionadores.

Aquilo deixou-o entusiasmado. Ele gostava de insectos mas não sabia que era possível coleccioná-los, como quem colecciona selos, conchas ou postais, talvez até trocar exemplares repetidos com os amigos.

Nessa mesma tarde saiu para caçar borboletas. Foi para o matagal junto ao rio, atrás de casa, um lugar onde se juntavam insectos de todo o tipo. Já tinha apanhado cinco borboletas que guardara dentro do frasco de vidro, quando ouviu alguém cantar com uma voz de algodão doce – uma voz tão doce e tão macia que ele julgou que sonhava. Espreitou e viu uma linda borboleta, linda como um arco-íris, mas ainda mais colorida e luminosa. Sentiu o que deve sentir em momentos assim todo o caçador: sentiu que o ar lhe faltava, sentiu que as mãos lhe tremiam, sentiu uma espécie de alegria muito grande. Lançou a rede e viu a borboleta soltar-se num voo curto e depois debater-se, já presa, nas malhas de nylon. Passou a para o frasco e ficou um longo momento a olhar para ela.

— Agora és minha – disse-lhe. — Toda a tua beleza me pertence.

A borboleta agitou as asas muito levemente e ele ouviu a mesma voz que há instantes o encantara:

— Isso não é possível – era a borboleta que falava. — Sabes como surgiram as borboletas? Foi há muito, muito tempo, na Índia. Vivia ali um homem sábio e bom, chamado Buda…

Vladimir esfregou os olhos:

— Meu Deus! Estou a sonhar?

A borboleta riu-se:

— Isso não tem importância. Ouve a minha história. Buda, o tal homem sábio e bom, achou que faltava alegria ao ar. Então colheu uma mão cheia de flores e lançou-as ao vento e disse: “Voem!” E foi assim que surgiram as primeiras borboletas. A beleza das borboletas é para ser vista no ar, entendes? É uma beleza para ser voada.

— Não! – disse Vladimir abanando a cabeça. — Eu sou um caçador de borboletas. As borboletas nascem, voam e morrem e se não forem coleccionadores como eu, desaparecem para sempre.

A borboleta riu-se de novo (um riso calmo, como um regato correndo, não era um riso de troça):

— Estás enganado. Há certas coisas que não se podem guardar. Por exemplo, não podes guardar a luz do luar, ou a brisa perfumada de um pomar de macieiras. Não podes guardar as estrelas dentro de uma caixa. No entanto podes coleccionar estrelas. Escolhe uma quando a noite chegar. Será tua. Mas deixa-a guardada na noite. É ali o lugar dela.
V

ladimir começava a achar que ela tinha razão.

— Se eu te libertar agora – perguntou – tu serás minha?

A borboleta fechou e abriu as asas iluminando o frasco com uma luz de todas as cores.

— Já sou tua – disse – e tu já és meu. Sabes? Eu colecciono caçadores de borboletas.

Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha feito uma boa caçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:

— Muito boa – disse. — Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo.

José Eduardo Agualusa

O grilo e a borboleta



















Num lugar escondidinho de um lindo e verdejante campo, havia um buraco fundo e escuro. Ali estava um grilo todo durinho por causa do frio que fazia onde ele estava, lá embaixo na terra.

Certa manhã, quando o calor do verão chegou e um fiozinho de raio de sol desceu até sua toca, o grilo esticou-se todo e começou a subir pelo buraco, até lá em cima, onde, no mundo quente do verão, ouviam-se muitos sons, assobios e cantos diferentes. Com isso, as asinhas duras do grilo começaram a coçar, fazendo soar o seu “cri-cri”. Primeiro devagarzinho e suavemente, depois cada vez mais rápido e forte. Seu “cri-cri” podia ser ouvido pelo campo florido afora!

Entre lindas flores voavam abelhas, marimbondos e belas borboletas. O zunzum das abelhas era suave e delicado, ao passo que o dos marimbondos era bem mais pesado. Só as borboletas flutuavam silenciosa e suavemente pelo ar, tal como as nuvenzinhas pairavam fofas e brancas no céu, parecendo carneirinhos.

Quando a mais bela borboleta de todas voou ao redor de uma flor para beber seu néctar, o grilo assombrou-se ao ver esta festa de asas coloridas bem acima dele e pensou:

- Esta deve fazer uma música maravilhosa. Gostaria de ouvi-la.

E, adiantando-se para mais perto da linda borboleta, disse:

- Oi, você aí! Toque um pouco a sua música! Você flutua para cá e olha dentro de todas as flores, mas eu não consigo ouvir nada! Nenhum som, nenhuma música sai de suas lindas asas!

A borboleta ficou procurando de onde vinha aquela vozinha e, quando olhou por cima da borda da pétala de flor, viu um grilo todo escurinho, quase preto, lá em baixo na terra, e respondeu:

- Meu trabalho é cumprimentar todas as flores. Toque você, pois minhas asas gostariam de dançar com a sua música!

O grilo, ouvindo esse elogio de tão bela criatura, ficou todo contente e recomeçou a cricrilar com toda a força de suas asas curtas e duras, para que a borboleta levantasse um vôo de belas e alegres cores campo afora.

Mas o grilo, em seu contentamento, não percebeu que o sol começara a se deitar e continuou tocando até anoitecer. Quando finalmente a suave luz das estrelas o alcançou, ele dobrou devagarzinho e direitinho as suas asinhas sobre as costas e sumiu.

Quando chegou lá no fundo da terra, se acomodou bem gostosinho em sua toca e murmurou para si mesmo:

- É bom que nós, os grilos violinistas, façamos as estrelas aparecerem com nossa música. Senão, as noites passariam pela terra na mais negra escuridão! Música de grilo é música boa! Música de grilo é música das estrelas!


( Desconheço o autor)

O caçador de borboletas




Sorridente, ao nascer do dia,
ele sai de casa com a sua rede.
Vai caçar borboletas, mas fica preso
à frescura do rio que lhe mata a sede
ou ao encanto das flores do prado.
Vê tanta beleza à sua volta
que esquece a rede em qualquer lado
e antes de caçar já foi caçado.

À noite, regressa a casa cansado
e estranhamente feliz
porque a sua caixa está vazia,
mas diz sempre, suspirando:
Que grande caçada e que belo dia!

Antes de entrar, limpa as botas
num tapete de compridos pêlos
e sacode, distraído,
as muitas borboletas de mil cores
que lhe pousaram nos ombros, nos cabelos.

Álvaro Magalhães

História do Cavalo e da Borboleta...


















Era uma vez um cavalo que passava os seus dias a tirar água da nora, carregando os seus pesados arreios. Havia uma borboleta que o amava e todos os dias o visitava e poisando nos seus arreios lhe dar um beijo de bom dia. No entanto, o cavalo gritava sempre:
- Sai daí esse é o lado mais pesado! Fazes sempre tudo errado! Desaparece! E dava um coice na borboleta, que partia magoada e triste.
Mas no dia seguinte ela voltava e cuidadosa poisava no lado contrário ao do dia anterior para dar o seu beijo de bom dia ao cavalo. Mas logo ele lhe gritava de novo:
- Sai, só fazes asneiras estou magoado desse lado! Todos os dias a mesma coisa! Será que não fazes nunca nada certo? Desaparece! E dava um forte coice na borboleta.
Esta cena repetia-se todos os dias... e todos os dias a borboleta que tinha resolvido mudar e ser mais atenta para não magoar mais o cavalo, ao tentar aproximar-se dele levava fortes coices pois os seus erros nunca eram compreendidos.
A pobre borboleta, cada dia mais magoada, via que o Amor que sentia pelo cavalo não era correspondido, mas procurava, pelo menos a sua amizade. Todos os dias a sua recompensa era um coice cada vez mais forte.
Um dia a borboleta desapareceu. O cavalo, no primeiro dia, pensou:
- Finalmente consegui afastar aquela borboleta que faz tudo errado... felizmente... ela não presta mesmo.
No entanto passou o resto do dia a pensar na borboleta. Até que passados uns dias resolveu ir procurá-la. Caminhou pela floresta e perguntava aos outros animais se tinham visto a borboleta, mas ninguém sabia dela, até que encontrou o coelhinho e perguntou:
- Coelhinho, tens visto aquela borboleta que me visitava todos os dias?
- Qual aquela a quem davas coices todos os dias? Aquela a quem julgavas e dizias que não fazia nada de bom? - perguntou o coelhinho.
- Sim, essa mesmo - respondeu o cavalo - nunca mais a vi!
Pois cavalo – respondeu o coelhinho – a borboleta morreu, magoada com tanto coice que lhe deste, ferida no corpo e na alma porque por mais que se esforçasse e tentasse fazer o que tu querias, mudar por ela e por ti, tu sempre a repeliste. Não a compreendeste, não reconheceste o seu Amor verdadeiro, não acreditaste na sua mudança e mesmo quando ela desejava só a tua amizade, conformada por não conseguir conquistar o teu Amor, sempre lhe respondeste com um coice. Agora vens procurá-la mais ela morreu, magoada com os teus coices.
O cavalo partiu, triste, pensando que a Amizade é algo que não se deve recusar nunca. Talvez nunca mais na vida encontrasse alguém que o amasse tanto... que quisesse tão desinteressadamente ser seu amigo. O cavalo aprendeu que devemos dar oportunidade aos outros, várias oportunidades até porque ninguém é totalmente mau, e todos merecem ter oportunidade de mostrar que cometeram erros mas aprenderam com eles e mudaram.

O cavalo mudou... mas a borboleta essa não teve oportunidade de lhe mostrar a sua mudança porque ele nunca lha deu.

O Jabuti e a borboleta























Certa vez um jabuti viu-se apaixonado por uma borboleta.
Como é comum dos jabutis, esse também era antigo e arrancando-se da covardia colecionada durantes algumas décadas, obrigou-se a dizer de seus sentimentos à pequena borboleta pois, como é comum nas borboletas, logo seria tarde demais .
- Olá. Sei que pode parecer loucura, mas alguma coisa em tuas cores, na maneira voas me faz querer-te muito, mesmo sabendo que de nada adiantam essas palavras, pois logo tornar-te -as um defunto.
- Mas por que então te encantas comigo que sou tão pequena e de uma existência tão curta? Por que não te encantas com uma outra de tua espécie?
- Nós somos animais presos à terra, enquanto está em teu poder voar, ver o mundo, mesmo que por tão pouco tempo, de uma forma que eu já mais veria.
- Tens certeza que é a mim que queres? Ou queres a possibilidade de vôo.
- Não! Penso que é algo em suas cores.
- E desde quando os de tua espécie são dotados de não cores?
- Mas é você quem me encanta.
- Te encanto eu, ou a possibilidade nula de um amor real? Eu, ou a certeza de não mais que esse agora?
- Você!
- Pense. E se fosse eu, ainda que eu por dentro, e ainda assim fosse uma de tua espécie, cheia de possibilidade de vida, cheia de chances de estar ao teu lado para alem de agora. Ainda assim me amarias?
- ...
- Você ama a mim ou ao impossível entre nós?


Desconheço o autor

Minha árvore de Natal de 2008


















"Lembre-se, se o Natal não é achado em seu coração, você não o achará debaixo da árvore."

quarta-feira, 14 de outubro de 2009




As borboletas batem as asas livremente, mesmo que saibam dos terremotos no Japão. As borboletas batem as asas porque não sabem o que poderia ser pior do que um terremoto no Japão. Nem querem descobrir. Dentro dos casulos, alimentando as mutações que as libertam, as larvas sonham com o vento nas árvores, a migração dos povos e dos gafanhotos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dança das borboletas






















Grande festa da primavera
Pequenos pedaços do arco-íris: borboletas
Delicadas e coloridas ,dançam
Extraindo o néctar das flores
Um minueto elegante e gracioso
Minueto de Boccherini
Dança de passos miúdos
Delicadas, encantadoras e efêmeras
luzes aladas voando de flor em flor
Papillon, butterfly,farfalla , borboleta.

By Nana Pereira

Bonjour primtemps


























Bonjour oiseaux
Bienvenu papillons
C'est primtemps!


Good morning birds
well comings butterflies
it is spring!


buenos días pájaros
Bienvenidas mariposas
es resorte!


By Nana Pereira














Levada pelo vento,
a borboleta
vai de flor em flor

Nana Pereira.